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VALDIGEM DE VINHEDOS... QUAIS JARDINS ENCANTADOS QUE ESCONDEM SECULARES SEGREDOS, MÁGOAS E ÁRDUO TRABALHO, ONDE OS AVÓS DOS AVÓS CULTIVARAM E FIZERAM AMADURECER CADA RUGA QUE TEM SEU ROSTO…

João Pina de Morais

Francisco Duarte, em 19.05.09

Ilustres Valdigenses...  Ilustres Desconhecidos...

SABIA QUE ...

 

 

Há 90 anos, várias dezenas de viticultores, entre eles vários Valdigenses, foram recebidos a tiro por um destacamento militar, quando se dirigiam à autarquia para reclamarem melhores condições de vida, alguns caíram mortos. Esta tragédia ficou perpetuada na obra “Sangue Plebeu”, da autoria do escritor Pina de Morais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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João Pina de Morais nasceu em Valdigem, concelho de Lamego, em 6 de Janeiro de 1889, filho de um outro João Pina de Morais (oriundo de Guiães, Vila Real) e de Rita Olinda de Morais. O casal teve numerosos filhos, alguns dos quais morreram de doença muito jovens. A família vivia em Quintião, próximo de Cambres.

Entre 1900 e 1905 frequenta o Colégio Roseira, em Lamego, passando em 1906 para o Liceu Nacional de Viseu, a fim de completar os estudos liceais. Em 1907 alista-se como voluntário no Regimento de Cavalaria 9, de Lamego, com vista a matricular-se na Academia Politécnica do Porto, o que efectivamente vem a acontecer. Aí frequenta os preparatórios para a Escola do Exército na arma de Infantaria. Frequentavam então a Academia alguns alunos que viriam a ser nomes importantes da intelectualidade portuguesa, como Eugénio Aresta e Leonardo Coimbra, os quais viriam a ter grande influência sobre o jovem Pina de Morais.

Em 1911, Pina de Morais encontra-se a frequentar a Escola do Exército, em Lisboa, terminando o curso em 1914. A 4 de Novembro do mesmo ano, é promovido a aspirante a oficial e colocado no Regimento de Infantaria 13, de Vila Real.

No jornal A Democracia, de Vila Real, dirigido por José de Carvalho Araújo Júnior, começa a escrever crónicas que lhe deram alguma notoriedade local. Mas estávamos ainda muito longe do escritor vigoroso que se havia de revelar mais tarde, sobretudo nos livros de contos. De qualquer forma, são as crónicas ali publicadas, a que acrescentou outras, que constituem a matéria do seu primeiro livro, publicado em 1917, intitulado Ânfora Partida.

Um dos 18 batalhões que constituíam o Corpo Expedicionário Português era o batalhão de Infantaria 13, de Vila Real, pelo que, a 21 de Abril de 1917, integrado nesse batalhão, partiu de Vila Real, de comboio, com destino a Lisboa, para mais tarde seguir para os palcos da Grande Guerra.

Após a campanha da Flandres, Pina de Morais retomou o serviço no RI 13, mas por pouco tempo, dado que logo a seguir, em Dezembro de 1918, foi transferido para o 3º Grupo de Metralhadoras, no Porto, que lhe permitiu um reatar de relações com os homens da Renascença Portuguesa, sobretudo Leonardo Coimbra e Teixeira de Pascoaes.

Em 1919, sob o comando do Cap. Sarmento Pimentel, outro trasmontano, participou na defesa do regime republicano contra a incursão monárquica conhecida por Monarquia do Norte. Republicano convicto, teve por essa altura alguma actividade política, tendo sido eleito para a Câmara de Deputados em 1921. Mais tarde participaria no pronunciamento de 3 de Fevereiro de 1927 – que constituiu a primeira manifestação de descontentamento militar e civil contra o regime saído do 28 de Maio de 1926. A partir dessa data pode dizer-se que está em oposição ao novo regime, acabando por exilar-se em Espanha, depois no Brasil e enfim na França.

Regressado a Portugal em 1932, estabeleceu residência na Foz do Douro, Porto, onde faleceu em 29 de Janeiro de 1953, vindo a ser sepultado no cemitério de Cambres.

A passagem pelo teatro de guerra, onde sofreu um severo gaseamento em La Lys, não podia deixar indiferente a sensibilidade de escritor, daí resultando dois livros, Ao parapeito (memórias de guerra) e O soldado-saudade na Guerra Grande (contos, muitos deles aproveitando a matéria de crónicas anteriormente publicadas no Primeiro de Janeiro), que constituem um conjunto de relatos vívidos e emocionantes da experiência das trincheiras. A primeira dessas obras conheceu três edições e foi considerado o melhor livro inspirado pela grande conflagração mundial. Saiu também em 1930 uma tradução francesa, Au créneau.

Sem embargo da recepção lisonjeira que o livro Ao parapeito (1919) obteve, a grande força de Pina de Morais como escritor está nos seus livros de contos: o já citado O soldado-saudade na Guerra Grande (1921), A paixão do maestro(1922), História dum urso (infantil, 1923), Sangue plebeu (1942) e Vidas e sombras (1949).

De todos estes, é incontestavelmente Sangue plebeu a obra-prima. É um conjunto de oito histórias passadas no cenário alto-duriense, uma das quais bastaria para fazer a reputação de um escritor: “No Douro”. É uma história trágica baseada num facto histórico: o Motim de Lamego, ocorrido em 20 de Julho de 1915, em que onze populares foram mortos a tiro, por um destacamento militar, durante uma manifestação. Nessa manifestação, pacífica, uma multidão vinda de todos os pontos do Douro, exigia pão para matar a fome aos filhos e reclamava às autoridades a defesa do vinho do porto, ameaçado por um inadequado acordo comercial com a Inglaterra. Mas o conto é mais do que isso: é também uma espécie de roteiro da região duriense ao longo das quatro estações do ano, apresentado por quem a conhece como às suas próprias mãos. De resto, a defesa do Douro foi uma das grandes causas de Pina de Morais. Este conto é um bom exemplo da sua atitude ética, sempre ao lado dos mais fracos e desprotegidos, em total consonância com os seus ideais republicanos.

Muito ligado à ideologia da Renascença Portuguesa, em que pontificavam nomes como Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, Raul Proença, António Sérgio e Teixeira de Pascoaes, Pina de Morais deixa-se imbuir de um certo “idealismo de incidência patriótica” e de um certo pendor reformista da mentalidade portuguesa, contra a degenerescência de que dava mostras o regime republicano.

Sangue plebeu, que se encontrava esgotado há muito tempo, foi reeditado, numa feliz iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Lamego e do Museu do Douro, em 2003.

 

In Grémio Literário Vila-Realense

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19:05


1 comentário

De Manuel Paiva a 05.03.2008 às 15:17

Boa tarde, sou um valdigense de alma e coração, visto que felizmente tenho aí raízes profundas, meus pais, vários tios e primos para não falar em alguns amigos que por ai estão. Em relação as pessoas ilustres, só tenho de acrescentar o seguinte, o Srº joão Pina de Morais foi um ilustre deputado do nosso parlamento. Já agora que aqui estou, louvo o mentor desta ideia de por Valdigem aberta a todo o mundo. Para me conhecerem melhor, sou filho de Valdemar Fernandes Paiva.
Sem mais um grande abraço a todos Valdigenses espalhados pelo mundo.
Meu contacto ao vosso dispor, mjpaiva@portugalmail.pt

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