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VALDIGEM DE VINHEDOS... QUAIS JARDINS ENCANTADOS QUE ESCONDEM SECULARES SEGREDOS, MÁGOAS E ÁRDUO TRABALHO, ONDE OS AVÓS DOS AVÓS CULTIVARAM E FIZERAM AMADURECER CADA RUGA QUE TEM SEU ROSTO…

HISTÓRIA

Francisco Duarte, em 13.08.16

                                                                                                                                                                                                                                                                             

 

 VALDIGEM, jovem Vila, categoria a que foi elevada a 1 de Julho de 2003, é uma das 24 freguesias do concelho de Lamego, distrito de Viseu, tem uma população de 890 habitantes residentes (censos 2011) e um número indeterminado de migrantes, tem uma área de 10,9 Km, considerada medianamente urbana, com cerca de 552 edifícios e uma superfície agrícola com cerca de 409 ha utilizados e 10 ha não utilizados, sendo como tal uma das maiores freguesias do concelho de Lamego, distando deste  cerca de 10 km.

 

A lei n.º 22/2012 de 30 de maio, aprovou novo regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica passando o Concelho de Lamego a ser constituido por 18 Freguesias. Valdigem passou a estar agregada a Parada do Bispo, constituindo desta forma uma só Freguesia, «União das Freguesias Parada do Bispo, Valdigem». 

 

1- ENQUADRAMENTO HISTÓRICO                                                       

 

     O seu foral foi concedido em 1182, no reinado de D. Afonso Henriques. Foi concelho até 1834.

    Dominado pelo alto e forte castro de S. Domingos, o território desta freguesia, cujos limites penetram o perímetro dos muros castrejos até quase rente da ermida daquela invocação, a qual se encontra, por isso, toda dentro da freguesia de Fontelo, tem um povoamento inegavelmente anterior não só ao século XII, mas até á denominação romana que aqui se exerceu. 

 

    O nome desta freguesia encontra-se bem documentado na Idade Média. Deve interpretar-se como sendo o genitivo dum nome visigodo, Balthweigs, latinizado em Baldoigius e conhecido por ser o nome dum Bispo de Cuenca nos meados do século VI.

    Na primeira metade do século XII tinha aqui notáveis haveres um filho-de-algo a que D. Afonso Henriques fizera doações nas cercanias de Lamego, a saber Pedro Viegas, que em 1163 fez uma vasta venda a D. Teresa Afonso, viúva de Egas Moniz, vobis dona Tarasia Alfonsi regiae prolis nutrici (isto é, ama dos filhos de D. Afonso Henriques), de muitos herdamentos em vários lugares nos arredores de Lamego, incluídos alguns in Baldigem (sic) in loco qui dicitur Galafura inter sancto Dominico et Queimada, et in Torrom ubi intra Barosa in Douro, isto é, respectivamente, no extremo sul da actual freguesia no vale do ribeiro que a atravessa, o local de Galafura (nome hoje perdido e que nada tem com Galafura, para além do Douro), e, no extremo noroeste, o local do Torrão, apertado ângulo entre o Barosa e o Douro e abaixo do declivoso cume da Mua.
    É natural que D. Teresa Afonso tivesse bens de herança de seu marido, e tudo aqui legou ela ao Mosteiro de Salzedas, sua fundação, antes de 1171. D. Afonso I libertou esses haveres de todo o débito real, e ele próprio em 1182 doava ao mesmo mosteiro certas fazendas.
     D. Afonso IV concedeu ao concelho de Lamego, cerca de 1330, uma carta para possuir em Valdigem a jurisdição crime. Mais tarde os procuradores da cidade às cortes queixaram-se a D. Afonso V que Valdigem fora do termo de Lamego (vê-se que o concelho de Valdigem se eclipsara momentaneamente, absorvido pelo de Lamego) e que D. João I retirara desse termo a freguesia para a dar a fidalgos, com jurisdição separada o que, apesar de D. Fernando o ter feito já, se não acusa contra este, que dera mesmo à vila carta confirmativa de todos os privilégios. Em 1372, de facto, D. Fernando doou as vilas de Tarouca e Valdigem a D. Maria Giroa (Girão), mulher de Martim Vasques da Cunha (o futuro vencedor da batalha de Trancoso), «por dívida que connosco tendes - diz o rei à dona - em casamento com o dito Martim Vasques», cedendo-lhe a jurisdição cível, excepto as apelações: A doação era feita também aos descendentes, segundo o filho maior varão ou a filha maior, se varão não houvesse, «para sempre», revertendo à coroa logo que se extinguisse a linha. Os senhores de Valdigem desta estirpe ficavam obrigados a «fazer feu» (feudo) do lugar e do outro doado servindo a coroa, sempre que fossem por ela requeridos, «com tantas lanças armadas de todo ponto quantas montar na renda dos ditos lugares» e «cada lança armada a guisa de França ou de Inglaterra» (Oeiras, 6-X-1372). Dois anos depois escassos, uma carta régia, dada em Salvaterra de Magos, a 26-IV-1374, dá a saber que entre estas datas fora dada, agora, expressamente a Martim Vasques da Cunha a jurisdição civil das duas vilas e que pouco depois lhe fora tirada, tendo tal carta por fim restituir-lha. A criminal continuava na coroa. Depois deste fidalgo, devido à sua retirada para Castela, ao que parece, Valdigem passou ao senhorio de seu genro, o famoso jurisconsulto Dr. João das Regras. Mas este não o teve muitos anos, porque uma carta de D. João I, de 1401, diz que este soberano havia comprado Valdigem a D. João de Castro para a poder doar a seu filho, o ínclito Infante D. Henrique. Morto este, parece que a vila voltou à coroa, imediatamente ou talvez pelo senhorio do duque de Beja, Infante D. Manuel, depois Rei.
     O cadastro de 1527 atribui à «vila de Baldigem» 146 fogos. Na povoação existiram casas nobres e vinculadas, como algumas dessas quintas o foram. Em 1532, Rui Fernandes atribui à freguesia o dizimo de mil alqueires de pão; de mil de vinho, de setecentos de castanha e de quatrocentos de azeitona. O concelho foi extinto em 1834 pelo liberalismo e incorporado no de Lamego.
    Quanto ao eclesiástico, a Igreja deve ter existência anterior à nacionalidade, erigida pelas «famílias» ou pelos próprios senhores da villa Baldoigii em honra de S. Martinho (de Tours) no século VI, devido à acção neste sentido desenvolvida pelo grande propagandista do culto daquele seu homónimo, S. Martinho de Dume. Assim, ter-se-ia mantido o templo através de várias vicissitudes ou ruínas, agora «próprio» dos novos senhores, os «comités» beirões dos séculos IX‑X, até à doação ao mosteiro vimaranense. Passada a villa no século XII, o mesmo sucedeu ao templo; e assim se compreende que nas Inquirições de 1258 se diga acerca de patronatu ecclisie sancti Martini de Baldign, que o padroeiro é o rei: rex est patronus et ... presentat dicte ecclisie. Em 1272, o Bispo de Lamego, D. Silvestre, lega no seu testamento a este tempo, ipsi ecclisie de Baldigem, para aniversário necrológico, em dia de S. Martinho, um maravedi de pescado sobre a sua vinha que vocatur Anegaça. Em 20-VIII-1292, D. Dinis, estando no Porto, passou carta à Sé lamecense, em complemento das concordatas com a Igreja, em que, entre outras coisas, era concedido ao Bispo e Cabido de Lamego o padroado da Igreja Paroquial de S. Martinho de Valdigem e a própria igreja. O Censual capitular de Lamego de cerca de 1530 cita a «vigairaria de Baldigem», cujo pároco, vigário, passara a ser da apresentação da dignidade capitular lamecense do arcediago, chamado por isso «de Baldigem» ou «do Bago», ao qual pertenciam os dízimos, tendo o vigário, nos fins do século XVIII, com o pé de altar, uns 300 mil réis de renda.
    Um clérigo de Valdigem, D. André, fez em 1295 uma doação à dita Sé, já dona da igreja. Em 1448, fez outra à mesma Sé o tabelião local, João Afonso.
    D. Manuel I, deu  novo foral em 10 de Fevereiro de 1514.
    Na vila existiram cadeia, casa de câmara e pelourinho. Na freguesia havia no século XIX cinco capelas particulares e a da Ermida da Nossa Senhora da Conceição, pública e com irmandade.
    Nesta freguesia estão classificados como imóveis de interesse público os marcos graníticos, que serviram para demarcar em 1757 a zona dos vinhos generosos do Douro, colocada sob a jurisdição da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas Douro, colocados nos seguintes locais: Qta de Sto António, no lugar do Tanque (caminho de Valdigem para o Barreiro), no lugar do Barreiro (caminho do Barreiro para o Alto da Portela) e na Quinta da Assoreira (Malpica).
 
 

2 - ENQUADRAMENTO SÓCIO-ECONÓMICO


Actividades sócio-económicas:

— Vitivinicultura (90% da produção de Vinho Generoso e 10% da produção de Vinho de Mesa da Região Demarcada do Douro);
 — Olivicultura;
 — Indústria de panificação;
 — Construção civil;
 — Venda por grosso de materiais de construção civil e agrícolas;
 — Comércio geral de mercearia e bebidas;
 — Comércio de peixe fresco, congelado e moluscos;
 — Indústria de camionagem TIR;
 — Praça de táxi;
— Indústria de transportes de aluguer.
.
 
3 - INFRA-ESTRUTURAS  E  EQUIPAMENTOS
 
Equipamentos sociais:
Posto médico, com um médico e uma enfermeira, para os utentes de Valdigem, Figueira e Parada do Bispo;
— Posto de atendimento do Centro Regional de Segurança Social do Centro - Serviço Sub-Regional de Viseu (delegação de Lamego);
Associação Construir (apoia os mais necessitados da freguesia);
— Biblioteca;
Património:
Igreja Paroquial;
Capela de Nossa Senhora da Conceição;
Capela das Brôlhas; 
— Pelourinho;
Cruzeiros;
— Marcos graníticos, que serviram para demarcar, em 1757, a zona de produção de vinhos generosos do Douro, colocados sob a jurisdição da Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro, que estão classificados como imóveis de interesse público;
Casas brazonadas;
— Edifícios onde estiveram instalados o tribunal, câmara, cadeia e outros serviços de comarca quando esta freguesia foi concelho até 1834, por foral concedido em 1182, no reinado de D. Afonso Henriques;
Residência e salão paroquial;
Edifícios escolares.
 
 
Associações:
 
— Associação Cultural Recreativa e Desportiva Construir de Valdigem;
 Associação os Amigos de Valdigem
Associação de Caçadores de Valdigem.(Condições de candidaturas e de exercício da caça em ZCM).
— Valdigem Sport Clube, (Inactivo).
 
Festas anuais:
— Romagem ao Monte de São Domingos (24 de Junho. É tradição secular, neste dia, ninguém trabalhar na freguesia);
Nossa Senhora do Rosário de Fátima (1.° ou 2º,  fim-de-semana de Agosto, sexta a terça-feira);
São Martinho (Padroeiro da freguesia, 11 de Novembro);
Imaculada Conceição (8 de Dezembro).
 
 
Texto retirado:
Projecto de Lei nº 198/IX - Elevação de Valdigem a Vila.  (Realizadas alterações e actualizações)  

Autoria e outros dados (tags, etc)

21:09


5 comentários

De Antonio Raposeira a 09.08.2013 às 21:29

Boa tarde, parabéns pelo blog, contém muita informação acerca desta vila, sem dúvida enriquecedora, mas o que me chamou mais atenção e fiquei confuso, foi com o "enquadramento histórico" no que se refere a historia do Padroeiro de Fontelo, o São Domingos de Gusmão. Passo a explicar,noutro blog (o da Vila de Fontelo)  a história não bate certo e gostaria de saber qual das versões esta correta. Em que bibliografia se baseou? ou foi das histórias da população da sua vila? Caso haja algum engano de um dos lados, seria interessante serem corrigidos para não criar equívocos.
Com os melhores cumprimentos,
Antonio Raposeira

De Francisco Duarte a 31.08.2013 às 11:06

Exmo. Sr,
Gostaria que fosse mais preciso em que parte do texto, sobre o enquadramento histórico, lhe parece não estar correta ou contraditória com a que outro blog refere,  para um esclarecimento igualmente mais preciso. Como deve saber a "História" tem muitas lacunas, muitas interrogações, é uma ciência imperfeita e sempre aberta a ajustes devidamente fundamentados...
Na parte final do texto, "HISTÒRIA", está mencionada a fonte que lhe deu origem.

Muito obrigado pela observação e caso preferir, contacte-me pelo mail: F.Nunes.Duarte@clix.pt
Cumprimentos.

De Carlos Roberto Valdejão a 09.12.2013 às 23:33

Excelentes fotografias e muito esclarecedora a história de Valdigem . Parabéns


Carlos Roberto Valdejão

De Anónimo a 14.12.2013 às 04:37


Bom dia:
No actual terreno da junta de freguesia ,existem marcos históricos (brasão dos falcões;os aros das janelas em granito entre outros) que deixo para vossa pesquisa ou porque não dar lugar a um estudo mais aprofundado da propriedade,dirigido por entidades capazes em vez de continuar com a sua destruição....Esse "coração" nunca deveria ter sido destruído sem um estudo detalhado sobre a sua Idade,seus proprietários,respetivas vivências,etc !!!
Um projeto moderno (sem data para a sua conclusão) vai substituir uma grande obra de recuperação e restauro que deveria ser sem sombra de dúvidas a opção a seguir,já para não falar do impacto paisagístico e tambem finançeiro que esta vai ter sobre a Vila aquando sua conclusão!
Comeu-se lá muita tíjela de sopa (casa dos pobres) e foram doados muitos bens alimentiçios á população porque as regras assim o impunham......
Será que existe mesmo documentos de Reis,Condes ou familias nobres que ditem essas verdades?
Será que Valdigem estudado de uma outra forma albergaria mais alguns marcos históricos?
O que traria isso á Vila e população?
Se fosse feito um trabalho "mais a frente" de certeza que tudo seria diferente e como este outros mais.......
Já agora gostaria de ver exposta publicamente a resposta a esta mensagem porque penso ser do interesse da população em geral pois trata-se da historia da terra!
Não destruam mais aquilo que tem muito valor!

De Manuel Nunes Ferreira a 04.01.2017 às 15:41

Estou muito interessado em saber mais sobre a história de Valdigem. Lembro que o avô utilizava o espaço que foi a prisão, como armazém e lembro de me terem dito que alguém da família próximo do nosso bisavô ter sido "juiz de paz". Quem sabe alguma coisa mais sobre isto? 

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