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VALDIGEM

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VALDIGEM

VALDIGEM DE VINHEDOS... QUAIS JARDINS ENCANTADOS QUE ESCONDEM SECULARES SEGREDOS, MÁGOAS E ÁRDUO TRABALHO, ONDE OS AVÓS DOS AVÓS CULTIVARAM E FIZERAM AMADURECER CADA RUGA QUE TEM SEU ROSTO…


03.02.21

BRASÃO-VALDIGEM

Escudo de vermelho, báculo de ouro posto em pala e brocante, mitra episcopal de prata; em chefe, cacho de uvas de púrpura folhado de ouro à dextra e ramo de oliveira de ouro frutado de negro, à sinistra; contrachefe ondeado de prata e azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com legenda a negro: "VALDIGEM - LAMEGO".

Brasão não oficial, design do autor do blog segundo publicação em diário da república, nº 219 de 22-9-1997


03.02.21

 

VALDIGEM, jovem Vila, categoria a que foi elevada a 1 de Julho de 2003, é uma das 24 freguesias do concelho de Lamego, distrito de Viseu, tem uma população de 890 habitantes residentes (censos 2011) e um número indeterminado de migrantes, tem uma área de 10,9 Km, considerada medianamente urbana, com cerca de 552 edifícios e uma superfície agrícola com cerca de 409 ha utilizados e 10 ha não utilizados, sendo como tal uma das maiores freguesias do concelho de Lamego, distando deste  cerca de 10 km.

A lei n.º 22/2012 de 30 de maio, aprovou novo regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica passando o Concelho de Lamego a ser constituido por 18 Freguesias. Valdigem passou a estar agregada a Parada do Bispo, constituindo desta forma uma só Freguesia, «União das Freguesias Parada do Bispo, Valdigem». 

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1- ENQUADRAMENTO HISTÓRICO                                                       

O seu foral foi concedido em 1182, no reinado de D. Afonso Henriques. Foi concelho até 1834.

 

   Dominado pelo alto e forte castro de S. Domingos, o território desta freguesia, cujos limites penetram o perímetro dos muros castrejos até quase rente da ermida daquela invocação, a qual se encontra, por isso, toda dentro da freguesia de Fontelo, tem um povoamento inegavelmente anterior não só ao século XII, mas até á denominação romana que aqui se exerceu. 

   Na primeira metade do século XII tinha aqui notáveis haveres um filho-de-algo a que D. Afonso Henriques fizera doações nas cercanias de Lamego, a saber Pedro Viegas, que em 1163 fez uma vasta venda a D. Teresa Afonso, viúva de Egas Moniz, vobis dona Tarasia Alfonsi regiae prolis nutrici (isto é, ama dos filhos de D. Afonso Henriques), de muitos herdamentos em vários lugares nos arredores de Lamego, incluídos alguns in Baldigem (sic) in loco qui dicitur Galafura inter sancto Dominico et Queimada, et in Torrom ubi intra Barosa in Douro, isto é, respectivamente, no extremo sul da actual freguesia no vale do ribeiro que a atravessa, o local de Galafura (nome hoje perdido e que nada tem com Galafura, para além do Douro), e, no extremo noroeste, o local do Torrão, apertado ângulo entre o Barosa e o Douro e abaixo do declivoso cume da Mua.    O nome desta freguesia encontra-se bem documentado na Idade Média. Deve interpretar-se como sendo o genitivo dum nome visigodo, Balthweigs, latinizado em Baldoigius e conhecido por ser o nome dum Bispo de Cuenca nos meados do século VI.

    É natural que D. Teresa Afonso tivesse bens de herança de seu marido, e tudo aqui legou ela ao Mosteiro de Salzedas, sua fundação, antes de 1171. D. Afonso I libertou esses haveres de todo o débito real, e ele próprio em 1182 doava ao mesmo mosteiro certas fazendas.
     D. Afonso IV concedeu ao concelho de Lamego, cerca de 1330, uma carta para possuir em Valdigem a jurisdição crime. Mais tarde os procuradores da cidade às cortes queixaram-se a D. Afonso V que Valdigem fora do termo de Lamego (vê-se que o concelho de Valdigem se eclipsara momentaneamente, absorvido pelo de Lamego) e que D. João I retirara desse termo a freguesia para a dar a fidalgos, com jurisdição separada o que, apesar de D. Fernando o ter feito já, se não acusa contra este, que dera mesmo à vila carta confirmativa de todos os privilégios. Em 1372, de facto, D. Fernando doou as vilas de Tarouca e Valdigem a D. Maria Giroa (Girão), mulher de Martim Vasques da Cunha (o futuro vencedor da batalha de Trancoso), «por dívida que connosco tendes - diz o rei à dona - em casamento com o dito Martim Vasques», cedendo-lhe a jurisdição cível, excepto as apelações: A doação era feita também aos descendentes, segundo o filho maior varão ou a filha maior, se varão não houvesse, «para sempre», revertendo à coroa logo que se extinguisse a linha. Os senhores de Valdigem desta estirpe ficavam obrigados a «fazer feu» (feudo) do lugar e do outro doado servindo a coroa, sempre que fossem por ela requeridos, «com tantas lanças armadas de todo ponto quantas montar na renda dos ditos lugares» e «cada lança armada a guisa de França ou de Inglaterra» (Oeiras, 6-X-1372). Dois anos depois escassos, uma carta régia, dada em Salvaterra de Magos, a 26-IV-1374, dá a saber que entre estas datas fora dada, agora, expressamente a Martim Vasques da Cunha a jurisdição civil das duas vilas e que pouco depois lhe fora tirada, tendo tal carta por fim restituir-lha. A criminal continuava na coroa. Depois deste fidalgo, devido à sua retirada para Castela, ao que parece, Valdigem passou ao senhorio de seu genro, o famoso jurisconsulto Dr. João das Regras. Mas este não o teve muitos anos, porque uma carta de D. João I, de 1401, diz que este soberano havia comprado Valdigem a D. João de Castro para a poder doar a seu filho, o ínclito Infante D. Henrique. Morto este, parece que a vila voltou à coroa, imediatamente ou talvez pelo senhorio do duque de Beja, Infante D. Manuel, depois Rei.
     O cadastro de 1527 atribui à «vila de Baldigem» 146 fogos. Na povoação existiram casas nobres e vinculadas, como algumas dessas quintas o foram. Em 1532, Rui Fernandes atribui à freguesia o dizimo de mil alqueires de pão; de mil de vinho, de setecentos de castanha e de quatrocentos de azeitona. O concelho foi extinto em 1834 pelo liberalismo e incorporado no de Lamego.
    Quanto ao eclesiástico, a Igreja deve ter existência anterior à nacionalidade, erigida pelas «famílias» ou pelos próprios senhores da villa Baldoigii em honra de S. Martinho (de Tours) no século VI, devido à acção neste sentido desenvolvida pelo grande propagandista do culto daquele seu homónimo, S. Martinho de Dume. Assim, ter-se-ia mantido o templo através de várias vicissitudes ou ruínas, agora «próprio» dos novos senhores, os «comités» beirões dos séculos IX‑X, até à doação ao mosteiro vimaranense. Passada a villa no século XII, o mesmo sucedeu ao templo; e assim se compreende que nas Inquirições de 1258 se diga acerca de patronatu ecclisie sancti Martini de Baldign, que o padroeiro é o rei: rex est patronus et ... presentat dicte ecclisie. Em 1272, o Bispo de Lamego, D. Silvestre, lega no seu testamento a este tempo, ipsi ecclisie de Baldigem, para aniversário necrológico, em dia de S. Martinho, um maravedi de pescado sobre a sua vinha que vocatur Anegaça. Em 20-VIII-1292, D. Dinis, estando no Porto, passou carta à Sé lamecense, em complemento das concordatas com a Igreja, em que, entre outras coisas, era concedido ao Bispo e Cabido de Lamego o padroado da Igreja Paroquial de S. Martinho de Valdigem e a própria igreja. O Censual capitular de Lamego de cerca de 1530 cita a «vigairaria de Baldigem», cujo pároco, vigário, passara a ser da apresentação da dignidade capitular lamecense do arcediago, chamado por isso «de Baldigem» ou «do Bago», ao qual pertenciam os dízimos, tendo o vigário, nos fins do século XVIII, com o pé de altar, uns 300 mil réis de renda.
    Um clérigo de Valdigem, D. André, fez em 1295 uma doação à dita Sé, já dona da igreja. Em 1448, fez outra à mesma Sé o tabelião local, João Afonso.
    D. Manuel I, deu  novo foral em 10 de Fevereiro de 1514.
    Na vila existiram cadeia, casa de câmara e pelourinho. Na freguesia havia no século XIX cinco capelas particulares e a da Ermida da Nossa Senhora da Conceição, pública e com irmandade.
    Nesta freguesia estão classificados como imóveis de interesse público os marcos graníticos, que serviram para demarcar em 1757 a zona dos vinhos generosos do Douro, colocada sob a jurisdição da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas Douro, colocados nos seguintes locais: Qta de Sto António, no lugar do Tanque (caminho de Valdigem para o Barreiro), no lugar do Barreiro (caminho do Barreiro para o Alto da Portela) e na Quinta da Assoreira (Malpica).
 
 

2 - ENQUADRAMENTO SÓCIO-ECONÓMICO


Actividades sócio-económicas:

— Vitivinicultura (90% da produção de Vinho Generoso e 10% da produção de Vinho de Mesa da Região Demarcada do Douro);
 — Olivicultura;
 — Indústria de panificação;
 — Construção civil;
 — Venda por grosso de materiais de construção civil e agrícolas;
 — Comércio geral de mercearia e bebidas;
 — Comércio de peixe fresco, congelado e moluscos;
 — Indústria de camionagem TIR;
 — Praça de táxi;
— Indústria de transportes de aluguer.
.
 
3 - INFRA-ESTRUTURAS  E  EQUIPAMENTOS
 
Equipamentos sociais:
— Posto médico, com um médico e uma enfermeira, para os utentes de Valdigem, Figueira e Parada do Bispo;
— Posto de atendimento do Centro Regional de Segurança Social do Centro - Serviço Sub-Regional de Viseu (delegação de Lamego);
Associação Construir (apoia os mais necessitados da freguesia);
— Biblioteca;
Património:
— Pelourinho;
— Marcos graníticos, que serviram para demarcar, em 1757, a zona de produção de vinhos generosos do Douro, colocados sob a jurisdição da Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro, que estão classificados como imóveis de interesse público;
— Edifícios onde estiveram instalados o tribunal, câmara, cadeia e outros serviços de comarca quando esta freguesia foi concelho até 1834, por foral concedido em 1182, no reinado de D. Afonso Henriques;
 
 
Associações:
 
— Associação Cultural Recreativa e Desportiva Construir de Valdigem;
— Valdigem Sport Clube, (Inactivo).
 
Festas anuais:
— Romagem ao Monte de São Domingos (24 de Junho. É tradição secular, neste dia, ninguém trabalhar na freguesia);
— Nossa Senhora do Rosário de Fátima (1.° ou 2º,  fim-de-semana de Agosto, sexta a terça-feira);
— São Martinho (Padroeiro da freguesia, 11 de Novembro);
— Imaculada Conceição (8 de Dezembro).
 
 
Texto retirado:
Projecto de Lei nº 198/IX - Elevação de Valdigem a Vila.  (Realizadas alterações e actualizações)  


02.02.21

A vindima é o culminar de um longo e árduo ano de trabalho ...
Lucas Lima, produtor Valdigense, fez-se reunir por um grupo de bons trabalhadores e amigos, transformando a colheita numa autêntica festa !!!


02.02.21

"Esmero", vinho de excelente qualidade produzido em Valdigem, baixo corgo, em vinha velha, pelo produtor e enólogo Eng. Rui Soares.


13.08.16

Dedico este vídeo fundamentalmente às pessoas que o protagonizaram já desaparecidas, assim como ás suas famílias, com o devido respeito pela sua memória e inerente saudade. Aos que se encontram entre nós… um grande abraço e “recordar é viver”.

Esta preciosidade, foi emitida pela “RTP Memória” e faz-nos regressar a um Douro de outros tempos! em que a Vindima era o culminar de árduo trabalho, não apenas do ano transato, mas de muitos anos, quer na moldagem desta magnifica paisagem, quer na produção deste precioso néctar, promotor de enorme festa e satisfação…

.

À conjugação de muitos e desmedidos esforços de todos os Durienses, especialmente dos anónimos, ou seja, dos verdadeiros trabalhadores, que a troco de quase nada, ofereceram ao mundo este paraíso, (Património Mundial), usufruído á mesa, de barco, comboio, automóvel ou a caminhar. Muito Obrigado e serão eternos!!!

.Francisco Duarte


10.08.16

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 Quem entra na Casa de Nossa Senhora dos Remédios, encontra, logo à entrada, esta inscrição: «Aqui jaz o Rev.mo Cónego José Pinto Teixeira, Fundador deste Santuário. Faleceu a 25 de Abril de 1784» .

Assim sendo, faz 232 anos que ocorreu a sua morte.

 

 

 

Oriundo de Valdigem, viveu em Lamego, mais propriamente na Rua da Olaria.

Eleito Juiz da Irmandade em 1748 (em 1741 já desempenhara tais funções), foi sobretudo a ele que se deveu a construção do Santuário.

Por muito grande que seja a nossa gratidão, será sempre muito pequena em comparação com a sua extrema (e extremosa) dedicação!


15.06.16

Posted by lamecum in Chronicon Lamecensis

Motim Lamego

O tiroteio à nossa volta dificulta-nos a audição

Mas a voz humana é diferente dos outros sons

Pode ser ouvida sobre outros sons que abafam tudo o resto

Até mesmo quando não há gritos

Até mesmo quando é só um murmúrio

Até mesmo o mais leve murmúrio pode ser ouvido sobre o

barulho dos exércitos quando diz a verdade.

Jornaleiros do Douro – (Emílio Biel)    

Poema retirado do filme “The Interpreter”

 

A 20 de Julho de 1915, o povo das aldeias de Cambres, Valdigem, Sande e Figueira, cerca de 5000 pessoas, dirigiu-se à cidade de Lamego, manifestando-se em frente ao edifício da Câmara. De acordo com os relatos dos jornais, no momento em que a comissão de representantes se encontrava reunida com a Comissão Executiva da Câmara de Lamego, de repente, a população foi atacada com bombas, caindo, mortos ou feridos, vários manifestantes e debandando a maioria. Com a população em fuga, mais nove pessoas seriam atingidas, mortalmente, pelas costas, por tiros disparados das janelas traseiras da câmara. O balanço trágico do motim de Lamego somou 11 mortos e 19 feridos.

Na noite do dia 19 começou a correr pela cidade que os sinos das aldeias tocavam a rebate, convidando o povo a dirigir-se a Lamego para pedir à Câmara o seu apoio à sagrada questão do Douro. Na manhã do dia 20 de abril de 1915, umas 4 ou 5 mil pessoas das freguesias vinhateiras do concelho armadas de varapaus, foices, machados, etc., entraram na cidade, obrigando todo o comércio a fechar as suas portas e obrigando também os principais proprietários a acompanhá-los ao edifício dos Paços do Concelho nessa romaria que depois tão triste e tão fúnebre se tornou (1).

A liderar essa multidão ia um popular a empunhar uma bandeira negra com a seguinte frase: “O Sul mata-nos à fome!”. Todos se dirigiram ao Município e aí foi nomeada uma comissão para se reunir com a vereação e autoridade administrativa sobre a atitude a tomar perante a gravíssima questão do Douro. Durante a tal reunião tudo correu dentro da ordem. Depois…

“Duma das varandas um soldado arremessou sobre a multidão a barretina onde reluzia um 9 metálico. Os lídimos e brilhantes esteios da ordem, todos com larga folha de baixos serviços políticos […] supuseram a República em perigo… iam cambalear as instituições políticas da terreola e lugubremente, com gesto carniceiro, despejaram bombas sobre a multidão inerme e de cabeça descoberta. Na multidão abriram-se grandes clareiras sangrentas e gritos agudos encheram os ares. Civis, no mais aceso orgulho de cidadãos livres, arrancaram as espingardas aos soldados e visaram os fugitivos, atingindo-os pelas costas. ” (in Sangue Plebeu de Pina de Morais).

 

Em jeito de singela homenagem, aqui fica a relação dos mortos no “Motim de Lamego”:

 

– Franscisco dos Santos Araújo (jornaleiro de Portelo de Cambres)

– Manuel Carneiro (sapateiro de Britiande)

– Francisco Guedes (jornaleiro de Pomarelhe de Cambres)

– Maximiano da Silva (proprietário de Valdigem)

– Bernardo Pinto (casado, Riobom de Cambres)

– João Cardozo (casado, Parada do Bispo)

– José Gomes Rabito (casado, do Ladario de Cambres)

– Pedro da Silva (casado, de Quintião Cambres)

– José da Rede (casado, feitor da Quinta dos Sequeiros)

– António Ribeiro (casado, de Riobom de Cambres)

– Ana Faininha (de Valdigem)

(1) JORNAL “A FRATERNIDADE”. V ANO, N.º 241, DE 24 DE JULHO 1915


12.05.10

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Foral concedido em 1182, no reinado de D. Afonso Henriques D. Manuel I, deu  novo foral em 10 de Fevereiro de 1514

                                           

                          Importantes documentos, arquivados na Torre do Tombo em Lisboa e de possível consulta

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